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16/01/2012

Imperativa

Faça,

Que quero desenhar-te,

De caneta prateada:

Bliss e sonata.

 

Serpenteia,

Como a absoluta poesia,

É de uma palavra só:

Apoteose.

 

Cria,

Oblitera o ar,

E faz verter as lágrimas,

Dos meus lábios.

 

Foge,

E forja,

Uma fantasia de cão vadio,

E coisa imaculada.

 

Não,

E chuta o novelo de lã,

Sorri, já que é vilã,

Do desinteresse mortal.

 

Sim?

Já voltou pra cima de mim,

Ainda não tem aquilo que quis,

Na platina inexplorada.

 

Acelera!

Dita o ritmo da aflição,

O tom soprano do afã,

Do prazer-necessidade.

 

Sufoca,

Aperta, morre e mata,

Ama o amor gemido ardido,

E fica cheia de graça.

 

Respira,

Oxigena a alma,

Carboniza o sofrer,

E fecha os olhos no meu peito suado.

 

Descansa,

Que vamos fazer de novo.

 

Juliano Leví ( long time no see )


Juliano Levi, 23h33

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23/09/2011


Davi Camelier, 00h50

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05/09/2011

Os mais bonitos

 

Certa vez caiu na minha galáxia,

atraído pelo meu sol de sonhos,

um dragão.

 

Pele negra,

ladrão de luz,

olhos flamejantes,

de certezas amorosas...

 

Mas não conseguia flutuar.

 

Suas asas estavam fracas,

a chama do olhar se apagando,

o sopro gélido,

não mais que uma brisa.

 

Dei lhe poemas,

os mais bonitos,

nutrição espiritual,

em forma de letras.

 

Exuberante e esbelto voltou a ser,

a felicidade em forma de vôo,

subiu oito mil quilômetros,

me levando ao céu.

 

Soprou tempestade no pôr-do-sol,

e congelou-o,

para que os segundos se tornassem intermináveis.

 

Me pôs em alfa,

estado supremo de prazer,

fez minha vida bater em seu peito,

fez da realidade uma grande delícia,

infinita, inqüestionável.

 

O dragão negro desconhece o vazio,

tudo é preenchido com o extremo amor.

 

Os segundos ainda duram,

paralisados num esquife de gelo eterno,

na memória,

no papel,

e no coração.

 

Meu sol de sonhos,

agora pertence ao dragão-deusa.

 

Juliano Leví  (inspirado ^^)


Juliano Levi, 18h39

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31/08/2011

Do futebol, amantes

 

Esta semana, no auge da preparação do Campeonato de São Lázaro 2011, em meio a todos os debates acerca de fórmulas de disputa, contratação de árbitros e compra de materiais, imaginei uma cena interessante: O que diria o craque Cristiano Ronaldo se visse o nosso torneio?

 

  - Ora pois, que trata-se de um certame de amadores! Diria provavelmente o galático.

  - Nada disso! O SL é muito mais que um campeonato de amadores. Eu responderia.

  - Que há de ser então, se não são profissionais, nem amadores? Questionaria o português de 180 milhões de reais, enquanto ajeita o cabelo e faz seu biquinho característico.

 

Só então, eu explicaria...

 

A expectativa sobe. O uniformes são redesenhados. As psicogatas aquecem suas vozes. Mauro começa a preparar suas resenhas esportivas. Corredores em efervescência: o SL mexe com o cotidiano da faculdade. Todos ansiosos para o pontapé inicial.

 

Não somos meros amadores, somos AMANTES. Assim, com letras maiúsculas mesmo. Não recebemos salários, mas suamos a camisa. Nossos jogos não são transmitidos, mas queremos dar espetáculo. Não temos mais que 4 anos de trajetória esportiva, mas temos nossa própria galeria de heróis. Heróis que encontramos no dia a dia, nos corredores da faculdade. A imprensa não nos segue, mas somos polêmicos de qualquer maneira.

 

Somos apaixonados pela mágica do esporte bretão. Jogamos pela honra, pela glória e temos na memória os nosos momentos épicos. Coração na ponta da chuteira, raça, sangue, habilidade e companheirismo.

 

Somos protagonistas e platéia deste show. Torcedores, jogadores e treinadores na nossa liga das estrelas. E eu diria ao senhor Cristiano Ronaldo:

 

  - Não, Não é um campeonato de amadores. É um campeonato de amantes. Amantes, do futebol.

 

 

Juliano Leví ( texto de divulgação do 4º Campeonato de Futsal de São Lázaro - SL2011 )


Juliano Levi, 15h37

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17/08/2011

Infantil

 

Quando você não conseguir mais,

fazer sons legais com a boca,

brincar com carrinho de supermercado,

se empolgar com desenho animado...

 

Quando você não conseguir mais,

comer dez balas sem parar,

inventar nomes para golpes especiais,

achar cerveja amarga demais...

 

Quando você não conseguir mais,

brincar sozinho com bonecos,

ficar imaginando que o chão é lava,

achar que vai esverdear se ficar com raiva...

 

Quando você não conseguir mais,

girar até ficar tonto,

listar seus heróis preferidos,

deixar seus blusões encardidos....

 

Quando você não conseguir mais,

ficar um minuto sem pular,

não correr o dia inteiro,

não se interessar por trabalho-mulher-dinheiro.

 

Quando você não conseguir mais,

ser uma criança feliz,

você será o mais chato adulto,

seus brinquedos estarão de luto.

 

Juliano Leví


Juliano Levi, 23h05

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26/07/2011

Menino preto-pobre

 

O menino preto pobre,

é órfão de pai e mãe,

filho do capitalismo,

chocadeira da desigualdade.

 

O menino preto pobre,

brota do chão de concreto,

sobrevive ao abandono,

na grande cidade.

 

O menino preto pobre,

não tem rosto,

não tem nome,

não tem idade.

 

O menino preto pobre,

sem registro e sem padrinho,

tem a fome, o crime e a droga,

a gravíssima trindade.

 

Ignorado pela sociedade,

vítima-algoz da crueldade,

o menino preto pobre,

é preto e pobre de verdade.

 

Ele é globalizado,

pede esmolas inglês, francês ou português,

que habilidade!

 

Ele é onipresente,

está na sinaleira, na marquise e na saída do cinema,

que velocidade!

 

Ele é onisciente,

sabe que lhe tem nojo, pena ou desprezo,

quanta sagacidade!

 

O menino preto pobre,

é pobre por que preto, ou preto por que pobre?

Que complexidade...

 

Igualdade,

solidariedade,

oportunidade,

e ao menino preto pobre,

também felicidade.

 

Juliano Leví  (comida,diversão e arte)


Juliano Levi, 00h38

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13/07/2011

Espírito que ama

 

O espírito que ama,

voa por milhões de céus,

ensinando estrelas inocentes,

a arte do saber-viver.

 

No escuro firmamento,

corpos celestes,

frios,

rígidos,

áridos,

ávidos.

 

Ele lhes dá carinhos,

enquanto fala baixinho:

você pode ser feliz.

 

O espírito que ama,

é luz e calor,

é sorrisos e abraços,

desperta inveja em constelações,

por seu brilho singular.

 

O espírito que ama,

é o próprio astro rei.

Merece então reverência,

à sua majestade estelar.

 

Quando eu for Deus deste mundo,

farei renascer o espírito que ama,

ele será o próprio amor,

de corpo e alma.

 

E nem a infinitude no universo,

se atreverá a separá-lo de mim novo.

 

O espírito que ama está aqui.

 

Juliano Leví  (sinta-se à vontade para interpretar)


Juliano Levi, 19h46

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24/05/2011

No colo

 

Você me faz um carinho,

minha garganta dá um nó,

por bem ou por mal,

lágrimas são do amor.

 

Eu sou pra você,

você é pra mim,

I, soul for you,

and you, air for me.

 

Ti voglio bene,

e te olho bem.

 

Je t'aime,

e você me tem.

 

Amor, eu te amo, amor.

 

 

Juliano Leví ( ^^ )


Juliano Levi, 23h22

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28/03/2011

A maldição da beleza

 

Hoje senti pena de princesas.

Foi a triste descoberta,

da beleza amaldiçoada.

 

O fundamental não é o todo.

O que põe a mesa não preenche o vazio.

 

De que adianta ter olhos brilhantes,

se os alvos são opacos?

De que adianta ter curvas insinuantes,

se os pilotos são fracos?

 

Ela está nos olhos de quem vê,

mas quem dá valor é o coração.

 

Nem todos os homens são poetas.

 

Hoje vi gatas extraordinárias,

solteiras, otárias,

tratadas como números,

comuns, ordinárias.

 

O telefone dela não tocou novamente.

 

Ele agora tem carro,

ela virou estatística,

o atalho pra felicidade,

jogado no lixo.

 

Só idiotas tratam heroínas como brinquedos.

Por trás da beleza existem mulheres,

que são infinitamente capazes de amar,

de verdade.

 

Princesas existem.

 

Juliano Leví ( "educação sentimental, eu vi um anúncio no jornal" )


Juliano Levi, 22h40

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21/03/2011

Grand Prix

Hoje eu comprei um carrinho. Uma miniatura de Ferrari, dessas que vendem em postos de gasolina.

Eu estava abastecendo o carro e, num desses impulsos inexplicáveis, comprei o brinquedo. Uma Ferrari F-50 GT, uma verdadeira lenda automobilística.

 

O frentista nem percebeu que eu estava “me auto-presenteando”. Perguntou se era pra presente apenas para constar. Enquanto a bomba de combustível jogava litros pra dentro do meu carro, fiquei admirando a miniatura. Sempre fui apaixonado por carrinhos de brinquedo. Quando criança, eu tinha uma coleção: poucos mais de 40 carrinhos. Com ajuda de muita imaginação, vivenciei Grandes Prêmios, disputas em altíssima velocidade e corridas com circuitos que iam da sala até a cozinha. O corredor de minha casa era a reta oposta. Longuíssimas tardes em que eu só terminava a corrida depois de fazer todos os carrinhos cruzarem a linha de chegada, que normalmente era a porta do meu quarto.

 

Minha mãe reclamava que eu atrapalhava a passagem na casa, com tanto carrinho no chão. Meu irmão achava engraçado quando eu, brincando sozinho, me empolgava na narração dos momentos decisivos das corridas. Meu pai achava bonito, talvez com uma certa nostalgia, já que também é apaixonado pelo brinquedo em questão.

 

Eu era feliz com os carrinhos de corrida.

 

Quando meu irmão mais novo nasceu, num processo quase natural, herdou minha coleção. Diferente de mim, não é louco pelos carrinhos. Ele tem dois videogames e um computador na sala. Gosta mesmo é de brinquedo que tenha luzes, barulhos, que gaste pilhas ou exija energia elétrica. Gradativamente, fui vendo meus carrinhos sumirem das prateleiras recheadas de brinquedos de meu irmão. Bonecos grandes, sempre com aparatos tecnológicos, acompanhados por cds de videogame e outros brinquedos de valor elevado. Se, numa loja de brinquedos, ofereço um carrinho pra ele, ouço imediatamente a pergunta: “ Sim, mas ele faz o quê?” A culpa não é dele. Gosto é gosto. Só tenho medo que a tecnologia substitua o poder da imaginação de uma criança. Se isso acontecer, a magia vai sumir, nossos filhos serão chatos.

 

A Ferrari F-50 GT está elegantemente estacionada na mesa de meu computador, ao lado das fotos de meus irmãos. A máquina italiana está acompanhada por um Dodge Viper RT-10 e um Mach-5, do Speed Racer.

 

Juliano Leví ( "Ayrton Senna do Brasil ! ")


Juliano Levi, 00h08

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19/03/2011

 


Davi Camelier, 18h13

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18/02/2011

Estante

Ultimamente, tenho visto muitas pessoas se referindo à vida utilizando a metáfora da estrada.  A vida, deste modo, teria um sentido, um destino. Como se todos tivessem que se manter olhando pra frente e deixar o passado realmente pra trás.

Não concordo com essa perspectiva. Vejo a vida mais como uma grande estante de livros. Cada aspecto de nossa vida seria um livro e caberia a nós arrumá-los de maneira adequada. Sendo assim, aí vão minhas instruções para organização de sua estante:

Antes de mais nada, perceba que há uma lógica na arrumação destes livros. Nas prateleiras mais baixas, mais acessíveis, ficarão os livros mais consultados. Na parte mais alta de estante, os livros que usaremos com menor freqüência, mas que precisam estar lá, mesmo que haja necessidade de uma escada para alcançá-los.

Comecemos pelo essencial. O livro “Felicidade”, aquele considerado caríssimo em alguns lugares, tem que ficar ao alcance da mão. Busque a “Felicidade” e ache-a sem maiores esforços. Se você perdeu a sua, não vá achando que consegue comprá-la em qualquer lugar, mas procure alguém que possa lhe dar “Felicidade”, ou compartilhar da mesma com você.

O livro “Dinheiro” é importante, mas não tanto. Você precisa compreender isso. Não coloque-o muito no alto, senão você terá problemas para tê-lo nas mãos, nem o empreste demais, ou terá problemas. Recomendo que não o deixe colado na “Felicidade” e nem muito longe. Seja cauteloso com o “Dinheiro”, a dica é mantê-lo entre a “Sorte” e o “Trabalho”.

O “Amor”, este, realmente, não pode faltar na sua estante. Se você não tem, não desespere, não há como comprá-lo. A vida se encarrega de colocar um, ou mais exemplares dele na sua estante. O segredo para conseguir “Amor” é manter “Auto-estima” sempre no alto. Andar com uma edição de bolso de “Sorrisos” é altamente recomendável neste caso.

Os volumosos exemplares de “Dor” e “Rancor” não são realmente valiosos. Leia “Dor” somente uma vez. Não vale à pena ficar remexendo sua estante para encontrá-la. Use-a talvez para aprender alguma coisa útil na sua vida. Lição aprendida, ela pode ser jogada fora. Quanto ao “Rancor”, em hipótese alguma guarde-o. Nem se permita mantê-lo junto à “Dor”. “Rancor” é pra ser jogado fora.

Por último, há um livro que recomendo que possua vários exemplares. Ele chama-se “Perdão”. Tenha muitos e presenteie as pessoas com ele. Pode emprestá-lo também, nunca se sabe quando precisamos que alguém nos devolva. Não seja mesquinho com o “Perdão”, dê a quem realmente merece. Normalmente, quem dá “Perdão”, recebe “Sorrisos” e “Amor”.

Bom, estas são as instruções. Não é um guia rígido, são só conselhos. Talvez você ache sua própria forma de organizar sua estante. E talvez nunca mais você pense na vida usando a metáfora da estrada.


Juliano Leví 18/02/2011


Juliano Levi, 01h39

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28/01/2011

À dois

Quando o som penetrar seus ouvidos,

estarei dentro de você.

Vou lhe declamar poesia,

entre quatro paredes.

 

A respiração ofegante,

marcará o ritmo.

O movimento dos corpos,

a coreografia.

 

Faremos música,

arte,

desordem,

no apagar das luzes.

 

Não deixarei a sensação ir embora...

 

Escreva nas minhas costas,

com as unhas,

só para registrar.

 

Se poesia é emoção,

inspiração,

sentimento,

explosão,

não há momento melhor para fazê-la.

 

Vou sussurrar no seu ouvido,

uma poesia feita à dois...

 

Juliano Leví


Juliano Levi, 01h31

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23/01/2011

Menina-mulher

Tenho a mania de achar bonito tudo que eu falo.

 

Bonita mesmo é você,

muito mais hoje,

do que com quinze anos.

 

Hoje muito mais,

por que te vejo nua.

 

Hoje muito mais,

por que você faz chover.

 

Hoje muito mais,

por que é pra mim.

 

Você é linda,

quando fecha os olhos depois de fazer...

ou quando fecha os olhos durante o fazer...

 

Você é linda,

quando se acha linda,

e quando se acha feia também.

 

Você é linda,

quando quer destruir,

e quando quer dengo.

 

Você é linda,

quando quer,

e até quando não quer.

 

Você é linda,

quando mãe África,

ou quando Cleópatra.

 

Você é linda,

quando Naomi Campbell,

e quando Jaguar.

 

Muito mais hoje,

menina-mulher,

do que com quinze,

menina-menina.

 

Você é linda.

 

Juliano Leví 23/01/2011


Juliano Levi, 03h32

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23/11/2010

Chorinho em preto e branco

São frases soltas por enquanto,

mas com todas as notas,

suspiros em lá,

gemidos em dó,

componho às cegas.

 

A beleza explode,

em silêncio e escuridão,

nasce um chorinho,

em preto e branco.

 

Sua pele absorve toda luz,

que tem licença poética,

no trato com suas curvas.

 

A física se abre ao lirismo,

tudo é permitido,

em nosso universo transgressor.

 

És uma instabilidade tão perfeita,

tanta fertilidade emocional,

que deixo lápis e papel,

ao lado da cama.

 

Juliano Leví  ( d^.^b )


Juliano Levi, 16h53

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Rodape