BRASIL, Nordeste, SALVADOR, BROTAS, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, Twi
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Meia noite. Meu relógio acabou de apitar. Volto pra casa dirigindo tranquilamente. Choveu forte durante o dia inteiro e um vento gelado entra pela janela do carro. Ouço somente o som suave do veículo deslizando sobre a pista molhada. Eu tinha acabado de deixar ela na frente de seu prédio. Fazia um bom tempo que não nos víamos, até o dia de hoje. Sempre tive amor por ela, mas somos apenas grandes amigos. Passamos o dia todo juntos. Conversamos, nos divertimos, lembramos velhos e bons tempos. Rimos bastante e tivemos momentos de genuína felicidade.
Agora eu estava ali, no carro, voltando para casa. Mas meu sentimento transportou-me para longe dali. Revivi os raros momentos em que fomos amantes em vez de amigos. Senti-me passeando por seu corpo outra vez, tal qual meu carro naquela avenida vazia. Lembrei do seu gemido sutil e dos beijos que lhe dei na nuca, que me fizeram sentir o gosto amargo do perfume. Retornei abruptamente pro meu corpo para tentar conter meu coração, que se acelerava com as lembranças. Reduzi a velocidade, do coração e do carro, pois estava chegando a minha casa. Entrei no apartamento. Minha bagunça continuava intacta. Dei de ombros. Era muito tarde para limpá-la. Tomei um banho. Mas a água quente não levou minhas lembranças pelo ralo.
Meu celular anunciou uma nova mensagem de texto enquanto eu me enxugava. Era dela. Mas não ma apressei. Enxuguei-me calmamente e fui a cozinha comer alguma coisa. Pus-me a imaginar o conteúdo da mensagem. Teria ela descoberto que me amava também? Diria que quer ter filhos comigo? Ou poderia dizer que espera por mim ansiosamente em sua cama, para fazermos amor como nunca? Todas as hipóteses, principalmente a última, agradaram-me bastante. De fato, deveria haver um motivo lógico para aquela mensagem noturna. Depois do dia que tivemos, com certeza não era algo banal...
Só então fui pegar o celular. Abri a mensagem e li:
“Está tarde. Me liga pra avisar se chegou bem em casa. Beijos. Boa noite.”
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Juliano Leví ( Professor do Programa Universidade Para Todos do governo federal. Feliz com isso.)