BRASIL, Nordeste, SALVADOR, BROTAS, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, Twi
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Quem há de entender os desvios do coração?
Eu não entendo,
não me parece lógico.
Sinto uma vontade imensa de amar o que não me pertence,
na madrugada isto me invade,
me tira o sono,
me faz sonhar acordado com o que poderia...
ou deveria ter sido.
Cansado,
à frente da tela apenas descarrego,
pra voltar pra cama com o espírito quieto,
desacelerar meu peito,
resfriar meu corpo,
que anseia,
mais do que tudo,
com toda força.
Mas o que há de errado comigo?
Não é dos poetas o poder de amar demais?
Por que dói tanto?
Eu deveria estar acostumado com isso...
sinto à tanto tempo,
mas a dor nunca é igual.
Músculos tensionados,
dor de cabeça,
confusão mental,
palpitação.
Parece sintoma de doença.
Isso era pra ser bom?
Só escrevo por que não sei como falar.
Se falasse não sei se seria ouvido,
nem levado à sério.
Me parece que meus olhos não tem o poder da poesia.
E isso me machuca,
me magoa.
Amigos me dizem pra parar com isso,
esquecer, desencanar,
que está ficando ridículo,
chato demais.
Nem sei mais o que responder,
eu mesmo já me sinto assim.
É como uma fome,
uma necessidade gritante,
cada segundo que passa o organismo pede mais,
e fica debilitado, enfraquecido,
só o amor é o alimento da alma,
só há quietude na satisfação completa.
Juliano Leví ( não sei o que dizer diante deste )
Foi repentino,
muito rápido,
quando notei ele já estava caído,
nocauteado com o ferimento fatal.
Abracei-o,
tomei-o nos meus braços,
o sangue rubro manchou meu peito,
senti o choque da hedionda realidade.
Soltei um grito potente,
gultural, animalesco,
minha garganta ardeu, inflamou,
e o som ecoou no labirinto.
Quis ter caninos gigantes,
pra pular na jugular do assassino,
por puro instinto,
da vingança instantânea voraz.
Mas o inimigo não estava mais ali.
Chorei.
Apertei aquele corpo agonizante,
como se quisesse transferir-lhe vida.
Ele soluçou,
do corte profundo o sangue ainda escorria,
com um sorriso no rosto,
esforçou-se para me dizer:
Não lamente a minha partida,
amor e dor é uma rima pobre,
ridícula.
Experimente viver seus sonhos...
E fechou os olhos,
deu um suspiro derradeiro.
Com trilha sonora saudosa e inaudível,
vi morrer meu sentimento.
Juliano Leví ( escrito originalmente em 21/06/2009 )